domingo, 8 de março de 2015

A arte do desencontro

Quinta-feira, 01 de janeiro de 2015, Roma, Itália.

O primeiro dia do ano iniciara-se turbulento, mas ao menos ela conseguira dormir. Ele iniciou a conversa. Funcionava como uma espécie de esquizofrênico, num eterno câmbio de personalidade que ia do cruel ao extremamente terno. Era capaz de dizer a ela as coisas mais duras e cinco minutos depois esfregar-se nela como um gato dengoso a buscar carinho, falando manso e movendo-se com doçura desmedida. A cabeça dela não entendia aquilo. Era louco? Como em três anos de convivência ela não percebera aquela personalidade no mínimo perturbada?
Desceu em busca do café da manhã, quase hora do almoço e ela descia em busca do café. Em dia de ano novo, passando férias em Roma com aquele que ela imaginava ser o amor da sua vida, era quase cômico ela a lutar com seu inglês de merda para trazer aos dois o café que ele, obviamente, teve de criticar. Mas era isso ou morrer de fome. Era não moveria o magro traseiro para usar seu inglês fluente e fazer um favor aos dois.
O primeiro dia de visita histórica a Roma foi um delírio para ele, uma anestesia para ela. Ainda sentia-se mal pelo que ocorrera na madrugada e o psicológico parecia afetar-lhe o físico. Sentia-se mal, como se em cada célula sua houvessem injetado lactose. Tinha no rosto um riso curto e no coração uma lágrima longa. 



sábado, 7 de março de 2015

A arte do desencontro

Quarta-feira, 31 de dezembro de 2014, Roma, Itália.


Era um dia ensolarado na capital italiana, mas andava longe de ser quente. Como em toda grande metrópole, e em pleno 31 de dezembro, a cidade fervilhava. Parecia que todos haviam tido a mesma ideia deles, passar o réveillon em Roma. Só para variar um pouco, eles estavam exaustos. Após uma noite regada à cerveja e sexo, com direito a neve na saída, eles não haviam descansado muito, além disso, estavam famintos. Muitas opções, escolhas, escolhas, escolhas. Foram parar num restaurante indiano. Alguém explica histórica social e politicamente por que há tanto indiano morando em Roma?
Ela sequer conseguia decidir o que pedir. Com o passar dos dias e o tratamento rude que muitas vezes ele dispensava a ela, exigindo sempre respostas racionais rápidas, ela atrapalhava-se com o mínimo. Acabou com um frango excessivamente apimentado e uma porção de batatas fritas, que claro, ele criticou. ¿Estás harto con las papas fritas, eh? Não importava o que ela dissesse, fizesse, como se portasse, nunca era o jeito certo ou a escolha certa para ele. Estava farta. A única coisa que naquele momento lhe provocou alguma graça foi o fato de ele achar estranho haver espinha no peixe que ele comia. Onde esse garoto viveu a sua vida inteira? Lá, peixes são invertebrados? O país pseudodesenvolvido queridinho da América do Sul e logo, a vida na Europa. Nunca o deixaram a par da realidade. Ele parecia saber tudo, perdia-se, porém, nas coisas simples.
O hotel não ficava tão distante do centro histórico, mas era bem esquisito.  O bairro parecia saído de um filme da máfia e dentro do hotel não parecia muito melhor. Um cheiro estranho desprendia-se dali e do quarto ouvia-se tudo ao redor, incluindo as conversas dos quartos vizinhos. “Lovely Roma”, really? Bem, o que esperar de um nome tão clichê? Talvez que fosse ao menos, menos frio.
Réveillon em Roma! Ela tentou alegrar-se com a realidade e animá-lo de alguma forma. Era noite de ano novo, uma noite para muitos drinks, muitos desejos e para recomeços, embora o único transporte que chegasse ali fosse o tranvia e em noite de réveillon só funcionasse até ás 9h30min da noite.
A intenção era comemorar o ano novo no Coliseu, mas depois da aventura de não conseguir transporte até a estação Termini, caminhar a pé por 20 minutos, parar numa cafeteria onde uma senhora gorda e com dentes mal cuidados gritava enquanto tentava consertar a luz que caía a cada dois minutos, comer uma pizza requentada em uma lanchonete indiana, – ainda há alguma pizzaria italiana em Roma?- e perderem-se um do outro no metrô,  o máximo que eles conseguiram foi chegar até o Circus Massimus.  Ele ainda estava bravo pelo fato de ela ter se perdido dele no metrô, ela ainda sentia-se mal por ter feito uma nova besteira. Mas ele despiu-se do rancor e a beijou à meia-noite. Um beijo insosso, desses que os atores globais se dão em novelas das seis, pouca língua, pouca saliva, pouca verdade. Mas ela sentia-se feliz, nunca fora beijada em noite de ano novo, era um pedacinho de sonho a realizar-se.
A noite corria bem, ele gostava da música, compartilhava seus risos com ela, tomava-a da mão. Ela sentia a felicidade no corpo, nas maçãs do rosto, no seu próprio riso. Mas o álcool a tomou rapidamente e ela ficou frágil e sonolenta. Ele começou a achar aquilo um saco. Que droga de companheira de farra era aquela? Quando cansou-se de carregá-la por todos os lados, resolveu voltar para casa que ficava a uma hora de caminhada, com sorte, e eles nem sabiam por onde começar. No meio do caminho, ela recebeu um golpe do destino. Em uma cafeteria qualquer de Roma, uma loira de olhos claros e ternos roubou dela o que de atenção ela ainda supunha receber dele. Ao sair, ele falou tanto da moça que ela se sentiu enterrar entre as ruínas romanas. Não podia competir com aquela beleza. Sentia-se esmagada. Ela estava ali, era toda dele e ele não a via.
Quando na cama os olhos fecharam-se em busca do sono que não vinha, ele veio tocá-la. Ela o rejeitou, ele a feriu, e já não havendo lágrimas, ela adormeceu entre mágoas que tornavam o novo ano nada mais que um borrão inicial.


quinta-feira, 5 de março de 2015

A arte do encontro

Terça-feira, 30 de dezembro de 2014, Florença, Itália.

Último dia em Florença, a cidade do renascimento onde ela continuava a parecer morrer. Era como se o tempo todo e a qualquer momento fossem lhe saltar as lágrimas. Ele só pensava em descansar bastante, percorrer o máximo o que lhe interessasse e satisfazer seus instintos primitivos. Abastecia-se de comida, cultura e sexo sem carinho e sem compromisso. O que mais um homem poderia querer?
Ela fazia de tudo para agradá-lo, mesmo quando isso a deixava cansada e infeliz. Ela que esperava ser acordada com beijos e um cappuccino, via-se a buscar o café dele na padaria mais próxima. De agradecimento? Uma reclamação por ela ter esquecido o açúcar. Cada vez que fazia algo errado, ela sentia-se mais idiota. Por mais que se empenhasse, ela nunca fazia algo completamente certo, simplesmente não conseguia concentrar-se em absolutamente nada mais que na própria desilusão e na rejeição sofrida pelo amor que ele tanto cultivara e para o qual já não dava a mínima, antes, lhe era incômodo.
Era o último dia ali e ela juntava forças, não sabia de onde, para levar algo bom de tudo aquilo. Na terra das ideias que salvaram o mundo da ignorância e o encheram de beleza, ela esforçava-se para encontrar em si algo de belo e para salvar sua alma da própria tristeza.
Estiveram todo o dia a passear por igrejas, museus, ruas lindas e estreitas da formosa Florença. Alguns risos naturais escapavam dela às vezes. Havia sido um bom dia, não podiam negar. Ele até a presenteara com um livro, um livro de Neruda, “Confieso que he vivido”, era o que ela sonhara dizer ao fim daquela viagem que prometera ser a viagem da sua vida.
De volta ao hotel, a promessa de voltar a sair e despedir-se da cidade fazia-se difícil. A cama aconchegante os abraçava com total entrega, mas desvencilharam-se dela e enfim saíram. Nova briga. Ficaram estagnados. Ele negava-se a oferecer-lhe o braço numa simples atitude de cavalheirismo e cuidado. Ela quedava-se a perguntar em que momento o “todavia me puedes tomar del brazo”, dito em Madri, havia-se transformado em “no me jodas”. Só lembrava que havia sido rápido demais e ela não pudera acompanhar. Por fim, o impasse se desfez, apesar dos pesares, ela não queria destruir aquela última noite e, como sempre, cedeu.
A cerveja deixava as coisas sempre mais tragáveis, mas ela se embriagava rápido demais e nunca o acompanhava. Ele bebia, bebia, e punha-se a falar das mulheres que amou, às quais, ela sabia, nunca se equipararia. Ela ficava a ouvir tudo, pacientemente, só para mirar-lhe os olhos, que diferentes dele, eram extremamente doces e tinham uma cor só conseguida quando um fio de mel é tocado por um raio de sol. Poderia passar horas apenas olhando aqueles olhos, incansavelmente.

Ao fim da noite, em meio à madrugada fria do inverno italiano e ao gelo dos seus pensamentos sombrios, ela foi tomada por um beijo, um beijo suave, longo, carinhoso. Fê-la lembrar-se do primeiro beijo, quando o céu abriu-se para ela. As lágrimas vieram brincar nos seus olhos, mas ela não as deixou cair, negou-se. Estava feliz, feliz! No hotel, seguiram-se outros beijos. Já não havia frio, seu corpo nu passeava pelas mãos dele, entregue, como se houvesse morado ali uma vida inteira, e carne e carne se cruzaram num prazer inefável, indizível. No chuveiro, novamente ela não acreditou quando ele a beijou e deixou-se estar. Entregou-se tanto que perdeu o medo, esqueceu-se da dor e da mágoa e quando tudo parecia perfeito e renascido, o dia amanheceu fazendo com que ele recuasse e desse a ela de bom dia uma dose de arrependimento.

A arte do desencontro

Segunda-feira, 29 de dezembro de 2014, Florença, Itália.


Chegaram a Florença em um dia lindo. Apesar do frio, o sol brilhava radiante. Ela, em contraste, sentia-se destruída. Acordara cedo, como sempre acontecia nos dias de viagem- e esses dias pareciam acercar-se cada vez mais rapidamente – não houvera tempo para grandes cuidados. Tinha o cabelo acabado pela água quente, o rosto queimado pelo frio e a autoestima derrubada pela maneira como ele a olhava. Sentia-se profundamente sozinha, triste e cansada. Olhou-se com temor no espelho do café e notou que ele refletia toda a sua tristeza.
O hotel ficava um pouco longe do centro, tiveram de caminhar por cerca de 30 minutos até finalmente encontrá-lo. Ele, claro, não podia fazê-lo sem o seu andar apressado e sem as reclamações habituais. Desde Barcelona, andava sempre como se estivesse atrasado para um encontro e reclamava de tudo que não lhe saía tal qual sua vontade, e até isso, não sabia bem porque, fazia-a sentir-se culpada.

Apesar de um pouco afastado, o hotel era uma graça e situava-se em um aconchegante bairro residencial. O quarto era, no entanto, frio, frio como o coração dele mostrava-se a ela a cada dia. Como acontecia de forma cada vez mais frequente, eles discutiram logo na chegada. O coração magoado dela procurava as respostas, ele não estava interessado em perguntas, e a feriu ainda mais. Ela chorou, chorou, chorou e ele veio depois adormecer em seus braços tão mutilados de cansaço. Não entendia por que, mas sempre terminava nos braços dela, entre suas pernas e seios.

A arte do desencontro

Domingo, 28 de dezembro de 2014, Veneza, Itália.


Segundo dia em Veneza, que era, na verdade, o primeiro. Demorara a amanhecer naquele quarto frio. Saíram já quase à hora do almoço. A cidade era esquisitamente linda durante o dia. Havia um colorido que emanava daquelas ruínas em meio àquelas águas de um verde não saudável.
Ela perguntava-se onde estava escondida aquela cidade na noite anterior. Até uma pista de patinação no gelo brotara do nada. Genial! Sentiu-se alegre por alguns minutos, mas vez em quando a melancolia sussurrava-lhe ao ouvido. Ela fingia não ouvir, mas nunca fora boa em dissimular.
Era uma cidade para os amantes, não tinha dúvidas. Quando escolheu ir lá, pensara nisso. Como não se apaixonar na cidade mais romântica da Europa? Ela tristemente descobriu que para ele isso era possível.
Ele achava tudo incrível. Era apaixonado por ruínas, cidades antigas, prédios antigos. Veneza era perfeita para ele. Antiga, em ruínas e com um concerto de Vivaldi em cada esquina. Para ela, era irrelevante, não entendia de música clássica. Para ele era o paraíso. Para variar, discutiram por isso. Mas o passeio estava agradável naquele dia que se fizera noite. Última noite em Veneza... Um pouco de álcool para acalmar os ânimos e recompor a alma.

Desde que chegara à Europa e ele demonstrara não querê-la, ela sempre achava que precisava de uma dose a mais. Só assim ela divertia-se, só assim ela libertava-se. Em meio à embriaguez, doía-lhe menos o fato de haver sempre uma europeia tão linda para ele quanto ela jamais seria.

A arte do desencontro

Sábado, 27 de dezembro de 2014, Veneza, Itália.

A viagem para a Itália não teve nada de sonho europeu, foi antes de tudo um pesadelo. Saíram de Paris atrasadíssimos e ela ainda pensou haver esquecido a câmera no hotel. Não havia. Andava tão aérea em meio àquela aura de desejos reprimidos e sonhos esmagados que esquecera que havia posto a câmera no bolso da jaqueta. Ela se odiou, ele a odiou. Ela se sentia tão mal que mesmo sendo muito cética, pedia em pensamento o tempo todo: por favor, que cheguemos a tempo.
Por fim, chegaram a tempo, a tempo demais. O voo atrasou cinco horas, cinco horas em que eles tiveram de ficar ali a odiar-se mutuamente. Durante anos, eles tiveram o que dizer por horas seguidas, quase que diariamente, e eles nem se conheciam... Agora eles estavam frente a frente há apenas dez dias e lhes escapava pouco mais que um olhar de reprovação e tristeza. Ela então trocou o olhar vazio por papel e caneta e transformou em poema toda a sua desilusão. Em meio a tanta espera, ela não encontrou o ombro da noite anterior. Era já outro dia.
Chegaram a Veneza à noite, uma noite gelada, com pouca luz e de comunicação reduzida. Ninguém falava a língua deles. Foram indo meio levados pelo vento e quase não encontraram o hotel. A cidade era um labirinto congelante em ruínas. Ela não encontrava melhor palavra para descrevê-la que ASSUSTADORA.  Era inverno na romântica Veneza e o único pensamento que ela conseguia ter era: os dedos dos meus pés estão congelando! Por fim, ele encontrou o caminho. Era muito bom nisso, talvez decodificasse o caminho em números.

No hotel de calefação inibida, eles dormiram abraçados, mas quando os lençóis se aqueceram, ela fugiu dele e dormiu apenas sob o calor do próprio cobertor.

terça-feira, 3 de março de 2015

A arte do desencontro

Sexta-feira, 26 de dezembro de 2014, Paris, França.


Último dia em Paris. Dia do tour cultural parisiense. Museu D’Orsay, Louvre, Versalhes - este, na verdade, nem em Paris fica. Chegar às nove ao primeiro museu, ficar duas horas, almoçar, ir a Versalhes, ficar entre três e quatro horas e ir ao Louvre. Era o plano. Ela acordou às nove e, como em todos os dias, começou a lutar para despertá-lo. Nunca cumpriam os planos, nunca cumpriam os horários e com muita sorte ainda não tinham perdido nenhum trem nem nenhum voo. Com muita luta, chegaram ao D’Orsay às dez e meia, entraram quase às onze e desperdiçaram muitos euros, não lhes foi possível ver quase nada. Não havia tempo, simplesmente. Era isso ou perder Versalhes, Louvre, então, tchau D’Orsay, foi bom o meio encontro.
Versalhes ficava um pouco distante do centro de Paris, eram muitos minutos de trem até lá. Os arredores eram muito tranquilos, pacatos. Quem diria que ali vivera o tão badalado rei Luís XIV. Era tudo mais melancólico, doce, calmo e impressionantemente frio. Puta que pariu, como era frio!
O palácio do rei sol era tão impressionante que ela que nunca estivera ali, mal conseguia entender-se de fato ali, sentia-se dentro de um livro de história. Ele, que já estivera, movia-se encantado como uma criança. Aliás, comportar-se como uma criança era algo inerente à personalidade dele, às vezes, chegava a assustá-la. Quando menos esperava, deparava-se com um garotinho em seus braços a pedir carinho em um tom de voz que não ia além dos oito anos. Amor, estranho amor...
Era novamente um dia bastante nublado, o sol parecia ter sido apenas uma cortesia natalina. Fora, nos imensos jardins do palácio, estava lindamente triste. Ela olhava, longe, longe... Quantos se haverão amado em meio àquela pintura tão real... Princesas, reis, súditos, gente normal. Mas ela não amaria ninguém ali, nem seria amada e ponto.
Quando chegaram ao jardim, o dia já estava se despedindo. O frio era cortante, tão cortante quanto as palavras dele que vez ou outra faziam questão de reafirmar a ela, não somos namorados, não exija de mim mais que as migalhas que às vezes te ofereço. Ao menos era assim que ela ouvia, acrescido de um não insista, você não é boa o suficiente para mim. Queria tão pouco, um abraço que a protegesse do frio, uma palavra de carinho e uma gentileza como pedir o lanche para ela já seriam suficientes. Mas para ele já era demais. Não entendia a necessidade dela e aborrecia-lhe a insistência. Ela cansou de tanto suportar, afastou-o e as lágrimas rolaram-lhe livremente pela face. Naquele momento, algo naquela cena mexeu com ele. Percebeu enfim que a machucara de verdade, pela primeira vez, ela sequer o queria por perto. Pela primeira vez, ela lhe dizia não. Ele se perguntou o que estava fazendo. Queria consertar aquilo, mas não sabia o que fazer, o que dizer. Afastou-se como ela pedira, acompanhou-a de longe e em silencio, a inventar meios de tornar aquilo menos doloroso. Na saída, ele a abraçou, ela chorou ainda mais. Que falta ela sentia daquele carinho, que triste que ele não pudesse ser sempre assim. A viagem de trem até Paris foi confortante. Eles dormiram no ombro um do outro. Há quanto tempo não o faziam? Nesses poucos momentos de ternura, emanava deles uma beleza, uma paz...
O passeio no Louvre era a última parada de Paris, despediam-se da cidade mais amada e comentada do mundo em grande estilo. A despedida foi tão demorada que à hora do jantar a impessoalidade voltou a dar-lhes um beijo.
Já na cama, quase adormecida, ela sentiu a mão dele percorrer-lhe as costas e estremeceu. Mas já não queria seguir com a síndrome do dia seguinte, cada vez que se entregava a ele sentia-se mais dependente daquele sentimento. Lutou para não entregar-se, mas ela era pequena, frágil, ele a teve facilmente presa em seus braços. Quando já o corpo dela deslizava sobre dele, ela indagou-lhe se não lhe importava machuca-la e ele se importou. Como à tarde no jardim, ele percebeu que a feria e renunciou ao próprio prazer. Não queria fazê-la sofrer, mas como era bom estar dentro dela... E na última noite noite em Paris, eles adormeceram sobre o próprio desejo.