domingo, 8 de março de 2015

A arte do desencontro

Quinta-feira, 01 de janeiro de 2015, Roma, Itália.

O primeiro dia do ano iniciara-se turbulento, mas ao menos ela conseguira dormir. Ele iniciou a conversa. Funcionava como uma espécie de esquizofrênico, num eterno câmbio de personalidade que ia do cruel ao extremamente terno. Era capaz de dizer a ela as coisas mais duras e cinco minutos depois esfregar-se nela como um gato dengoso a buscar carinho, falando manso e movendo-se com doçura desmedida. A cabeça dela não entendia aquilo. Era louco? Como em três anos de convivência ela não percebera aquela personalidade no mínimo perturbada?
Desceu em busca do café da manhã, quase hora do almoço e ela descia em busca do café. Em dia de ano novo, passando férias em Roma com aquele que ela imaginava ser o amor da sua vida, era quase cômico ela a lutar com seu inglês de merda para trazer aos dois o café que ele, obviamente, teve de criticar. Mas era isso ou morrer de fome. Era não moveria o magro traseiro para usar seu inglês fluente e fazer um favor aos dois.
O primeiro dia de visita histórica a Roma foi um delírio para ele, uma anestesia para ela. Ainda sentia-se mal pelo que ocorrera na madrugada e o psicológico parecia afetar-lhe o físico. Sentia-se mal, como se em cada célula sua houvessem injetado lactose. Tinha no rosto um riso curto e no coração uma lágrima longa. 



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