quinta-feira, 5 de março de 2015

A arte do desencontro

Segunda-feira, 29 de dezembro de 2014, Florença, Itália.


Chegaram a Florença em um dia lindo. Apesar do frio, o sol brilhava radiante. Ela, em contraste, sentia-se destruída. Acordara cedo, como sempre acontecia nos dias de viagem- e esses dias pareciam acercar-se cada vez mais rapidamente – não houvera tempo para grandes cuidados. Tinha o cabelo acabado pela água quente, o rosto queimado pelo frio e a autoestima derrubada pela maneira como ele a olhava. Sentia-se profundamente sozinha, triste e cansada. Olhou-se com temor no espelho do café e notou que ele refletia toda a sua tristeza.
O hotel ficava um pouco longe do centro, tiveram de caminhar por cerca de 30 minutos até finalmente encontrá-lo. Ele, claro, não podia fazê-lo sem o seu andar apressado e sem as reclamações habituais. Desde Barcelona, andava sempre como se estivesse atrasado para um encontro e reclamava de tudo que não lhe saía tal qual sua vontade, e até isso, não sabia bem porque, fazia-a sentir-se culpada.

Apesar de um pouco afastado, o hotel era uma graça e situava-se em um aconchegante bairro residencial. O quarto era, no entanto, frio, frio como o coração dele mostrava-se a ela a cada dia. Como acontecia de forma cada vez mais frequente, eles discutiram logo na chegada. O coração magoado dela procurava as respostas, ele não estava interessado em perguntas, e a feriu ainda mais. Ela chorou, chorou, chorou e ele veio depois adormecer em seus braços tão mutilados de cansaço. Não entendia por que, mas sempre terminava nos braços dela, entre suas pernas e seios.

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