quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

A arte do desencontro

Terça-feira, 23 de dezembro de 2014, Amsterdã, Holanda.

O dia amanheceu quase ao meio-dia. Que frio! Que preguiça! Ela, como sempre, despertara antes. Ele, porém, não tardou em despertar e pedir-lhe o café. Realmente, o homem dos seus sonhos. Quem haveria de dizer...
Na barraca de sanduíches típica e deliciosamente holandesa, ela finalmente sentiu-se, após logos dias que passavam incrivelmente rápido, bonita. Ganhou um elogio. You’re beautiful, I loved your eyes. Graças a Deus seu inglês lhe permitia entender aquilo. Sentiu-se bem, leve e de quebra, ganhou um desconto. A excitante história da paquera amsterdanesa não fez tanto sucesso de volta ao quarto. Qué cosas raras te dicen. Não acreditava na história dela? Não importava, ela estava breve e verdadeiramente feliz por haver recebido o seu elogio europeu, mesmo não querendo desfrutar dele. Era bom sentir-se mulher, a pretty woman.
Na briga contra o frio e a preguiça, o natural sempre quase os vencia, e do dia restavam-lhes apenas algumas doses. Não houve Van Gogh nem Mercado das flores, tropeçaram no meio do caminho com restos mortais, Body Worlds – The Hapiness Project. Irônico tema. Motivo de briga no dia anterior, ali estava ela a render-se ao desejo dele, por mais que tentasse, não resistia à possibilidade de fazê-lo sorrir, e ficava a esconder suas lágrimas por trás daquele sorriso. Foram, na cidade onde a vida acontece de todas as formas, ver gente morta.
O fim de noite brindou-os com cervejas antigas e outras caras. Junto aos novos conhecidos dela e aos velhos conhecidos dele, eles se divertiram. Era sempre melhor quando havia alguém mais. Naquela harmonia, eles eram facilmente confundidos com uma pareja feliz. Do outro nada se sabe.
De volta a casa, tendo o frio como abraço, ela caminhava tristemente e mantinha-se bem atrás a observar o novo lindo casal que acabara de conhecer, como os invejava... Ele não entendia e odiava que ela caminhasse sempre tão lentamente. Ela não tinha vontade de explicar-lhe nada, queria ficar a sós com seus pensamentos.

Em casa, ele a deixou, saiu e voltou em seguida, quando os olhos e os pensamentos dela começaram a entender-se. E no meio de um poema nunca terminado, ele a tomou uma vez mais e ela, tremendo de frio, deixou-se envolver por aquele calor.

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