Terça-feira, 23 de dezembro de 2014, Amsterdã, Holanda.
O dia amanheceu quase ao meio-dia. Que frio! Que preguiça! Ela, como
sempre, despertara antes. Ele, porém, não tardou em despertar e pedir-lhe o
café. Realmente, o homem dos seus sonhos. Quem haveria de dizer...
Na barraca de sanduíches típica e deliciosamente holandesa, ela
finalmente sentiu-se, após logos dias que passavam incrivelmente rápido,
bonita. Ganhou um elogio. You’re beautiful, I loved your eyes. Graças a Deus
seu inglês lhe permitia entender aquilo. Sentiu-se bem, leve e de quebra,
ganhou um desconto. A excitante história da paquera amsterdanesa não fez tanto
sucesso de volta ao quarto. Qué cosas raras te dicen. Não acreditava na
história dela? Não importava, ela estava breve e verdadeiramente feliz por
haver recebido o seu elogio europeu, mesmo não querendo desfrutar dele. Era bom
sentir-se mulher, a pretty woman.
Na briga contra o frio e a preguiça, o natural sempre quase os vencia, e
do dia restavam-lhes apenas algumas doses. Não houve Van Gogh nem Mercado das
flores, tropeçaram no meio do caminho com restos mortais, Body Worlds – The
Hapiness Project. Irônico tema. Motivo de briga no dia anterior, ali estava ela
a render-se ao desejo dele, por mais que tentasse, não resistia à possibilidade
de fazê-lo sorrir, e ficava a esconder suas lágrimas por trás daquele sorriso.
Foram, na cidade onde a vida acontece de todas as formas, ver gente morta.
O fim de noite brindou-os com cervejas antigas e outras caras. Junto aos
novos conhecidos dela e aos velhos conhecidos dele, eles se divertiram. Era
sempre melhor quando havia alguém mais. Naquela harmonia, eles eram facilmente
confundidos com uma pareja feliz. Do outro nada se sabe.
De volta a casa, tendo o frio como abraço, ela caminhava tristemente e
mantinha-se bem atrás a observar o novo lindo casal que acabara de conhecer,
como os invejava... Ele não entendia e odiava que ela caminhasse sempre tão
lentamente. Ela não tinha vontade de explicar-lhe nada, queria ficar a sós com
seus pensamentos.
Em casa, ele a deixou, saiu e voltou em seguida, quando os olhos e os
pensamentos dela começaram a entender-se. E no meio de um poema nunca
terminado, ele a tomou uma vez mais e ela, tremendo de frio, deixou-se envolver
por aquele calor.
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