O tempo passou e o relacionamento deles, enfim, era do conhecimento de
todos. Um ano juntos... Passou rápido. Estar ao lado dela fazia o tempo parecer
sempre mais curto para ele, cheirava à felicidade. Ainda assim, algo começava a
incomodá-lo. Sentia falta de estar com os amigos, de sentir-se mais livre. Como
dizer a ela, porém, que precisava de espaço? Sentia que não podia, que
terminaria por magoá-la, e nem podia imaginá-la magoada. Magoava-se ele antes.
Continuou vivendo assim, iam passando-se os dias, os meses, ele ali,
tentando fingir ser o mesmo de há um ano e algo. Cada vez funcionava menos. Ele
não se divertia como antes, ela já não se sentia tão amada; o notava cada vez
mais distante, disperso. Ela, como toda mulher, quis entender, ele, como todo
homem, não queria explicar. E de tanto não se entenderem, ela lhe disse adeus
em uma fria noite de inverno. Saiu ainda sem entender como chegaram àquilo e
completamente magoada como ele jamais quisera. Ele foi chorar embaixo das
cobertas, lamentando as palavras não ditas, a pequena mágoa não logo causada.
No dia seguinte, a mãe surpreendeu-se com a presença dele na cozinha às
dez da manhã. Era tempo de aulas e ele não havia ido à escola. Ela também havia
acordado tarde e julgava que ele já houvesse saído. Quis entender. Ele fingiu
estar doente. Com todo o frio do inverno, não era difícil de acreditar. Tomou o
café da manhã e voltou à cama para continuar a pensar e a sofrer. Pensou em
ligar para ela, conversar finalmente, desculpar-se, explicar-lhe, mas desistiu
ao fim. Já não era tempo para isso “lo hecho está hecho”, e foi adormecer entre
lágrimas.
...
Os dias foram se passando, gélidos e pesados. A separação fez-se
perceber. A cada curioso que o incomodava com indagações, respondia seco e
breve: cortamos, es todo.
O tempo o ensinou a voltar a viver sem ela, os amigos foram se tornando
mais próximos, ele divertia-se mais e acabou por achar que era o momento de ser
mesmo assim. Vez ou outra, porém, saía-lhe alguma poesia e os livros de
literatura já não lhe pareciam tão entediantes.
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