terça-feira, 1 de janeiro de 2013

A arte do encontro XVIII


O tempo passou e o relacionamento deles, enfim, era do conhecimento de todos. Um ano juntos... Passou rápido. Estar ao lado dela fazia o tempo parecer sempre mais curto para ele, cheirava à felicidade. Ainda assim, algo começava a incomodá-lo. Sentia falta de estar com os amigos, de sentir-se mais livre. Como dizer a ela, porém, que precisava de espaço? Sentia que não podia, que terminaria por magoá-la, e nem podia imaginá-la magoada. Magoava-se ele antes.
Continuou vivendo assim, iam passando-se os dias, os meses, ele ali, tentando fingir ser o mesmo de há um ano e algo. Cada vez funcionava menos. Ele não se divertia como antes, ela já não se sentia tão amada; o notava cada vez mais distante, disperso. Ela, como toda mulher, quis entender, ele, como todo homem, não queria explicar. E de tanto não se entenderem, ela lhe disse adeus em uma fria noite de inverno. Saiu ainda sem entender como chegaram àquilo e completamente magoada como ele jamais quisera. Ele foi chorar embaixo das cobertas, lamentando as palavras não ditas, a pequena mágoa não logo causada.
No dia seguinte, a mãe surpreendeu-se com a presença dele na cozinha às dez da manhã. Era tempo de aulas e ele não havia ido à escola. Ela também havia acordado tarde e julgava que ele já houvesse saído. Quis entender. Ele fingiu estar doente. Com todo o frio do inverno, não era difícil de acreditar. Tomou o café da manhã e voltou à cama para continuar a pensar e a sofrer. Pensou em ligar para ela, conversar finalmente, desculpar-se, explicar-lhe, mas desistiu ao fim. Já não era tempo para isso “lo hecho está hecho”, e foi adormecer entre lágrimas.
...
Os dias foram se passando, gélidos e pesados. A separação fez-se perceber. A cada curioso que o incomodava com indagações, respondia seco e breve: cortamos, es todo.
O tempo o ensinou a voltar a viver sem ela, os amigos foram se tornando mais próximos, ele divertia-se mais e acabou por achar que era o momento de ser mesmo assim. Vez ou outra, porém, saía-lhe alguma poesia e os livros de literatura já não lhe pareciam tão entediantes.

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