ELA (continuação)
Apaixonara-se pela primeira vez aos seis anos, enquanto tentava soletrar. Parecia-lhe tão fácil soletrar amor. Descobriria um dia que a facilidade da palavra restringia-se à ortografia e à fonologia.
Ele era loiro, tinha olhos verdes, cabelo liso. Exatamente como nas estorinhas... E tinha quase o dobro da idade dela. Provavelmente nunca a vira e eles nunca chegaram a trocar uma só palavra. E, depois de algum tempo, ela o esqueceu. Lembrava-se de algumas características, mas não podia lembrar, nem mesmo com precisão superficial, do rosto dele.
Da segunda vez que ela se apaixonou, tinha dez anos. Cursava agora a quarta série e já vinham-lhe à cabeça as primeiras grandes dúvidas, para as quais, mesmo depois de muito tempo, não encontraria resposta. Um amor em questão era novamente um loiro. Os biotipos dos contos de fada pareciam seguir impregnados em sua mente. Ele tinha uns traços delicados, requintados; parecia meio europeu. Tornaram-se amigos. Conversavam por horas, inclusive durante as aulas, coisa que ela até então nunca fizera. Sempre fora comportadíssima, um exemplo para toda turma. Incutiram-lhe desde cedo uma certa repressão que ela nunca pensara em romper. Obedecia e ponto. Mas agora, simplesmente acontecia. Era tão melhor responder a ele que à professora... Mas ao fim a consciência falou mais alto e ela resolveu separar-se dele para não prejudicar-se.
Um dia ele lhe fez uma declaração de amor, uma cartinha linda. A qual inesperadamente ela disse: não. Era jovem demais, não podia entregar-se ao amor agora.
"Lenguajes" é uma proposta de interação através de poemas, canções e discussões, sejam estes em português, em espanhol ou da forma que convier à velha(não tão velha assim)cachola. Com bom humor ou não, e vez em quando com uma lágrima doce...
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
domingo, 4 de dezembro de 2011
A arte do encontro IV
ELA
Ela sonhava com um amor, um amor de verdade. Alguém para quem ela pudesse dizer "Eu te amo", que cuidasse dela e para quem ela pudesse ser ela mesma, com todos os seus defeitos e com todas as suas virtudes. Sempre quisera um amor, desde a infância via a mágica gerada pelo amor presente nos contos de fada. Eram tantas as estórias, cheias de beleza e sempre com um garantido "Felizes para sempre", sobre o qual ela sempre indagava: quanto é sempre? Ao fim, não importava. O foco do beijo, do príncipe, da felicidade e do amor lhe roubavam a atenção. Como desejava ser encontrada, resgatada, cuidada e amada pelo seu grande amor.
Um dia, finalmente leu uma estória triste "A pequena sereia". Pareceu-lhe a mais linda de todas. De todos os amores lidos nos livros, nenhum era como aquele. Era uma estória de entrega em que era necessário dar tudo por um talvez e dessa vez o sacrifício não era do príncipe, era da princesa. Uma princesa que depois de muito sofrer e de tanto doar-se, transformou-se em espuma, simplesmente. Lindo... Pena a nossa heroína ter depois descoberto que nem sempre o que é lindo na literatura, o é na vida real.
Ela sonhava com um amor, um amor de verdade. Alguém para quem ela pudesse dizer "Eu te amo", que cuidasse dela e para quem ela pudesse ser ela mesma, com todos os seus defeitos e com todas as suas virtudes. Sempre quisera um amor, desde a infância via a mágica gerada pelo amor presente nos contos de fada. Eram tantas as estórias, cheias de beleza e sempre com um garantido "Felizes para sempre", sobre o qual ela sempre indagava: quanto é sempre? Ao fim, não importava. O foco do beijo, do príncipe, da felicidade e do amor lhe roubavam a atenção. Como desejava ser encontrada, resgatada, cuidada e amada pelo seu grande amor.
Um dia, finalmente leu uma estória triste "A pequena sereia". Pareceu-lhe a mais linda de todas. De todos os amores lidos nos livros, nenhum era como aquele. Era uma estória de entrega em que era necessário dar tudo por um talvez e dessa vez o sacrifício não era do príncipe, era da princesa. Uma princesa que depois de muito sofrer e de tanto doar-se, transformou-se em espuma, simplesmente. Lindo... Pena a nossa heroína ter depois descoberto que nem sempre o que é lindo na literatura, o é na vida real.
A arte do encontro III
Apesar de um primeiro momento tão agradável, ela não permaneceu pensando nisso. Não pensou muito nele depois. Tinha a cabeça ocupada com um outro de acento bem mais parecido com o dela. Esse também andava distante e possuía o doce veneno dos homens belos e jovens. Mais ainda, era músico e mulherengo, declaradamente. Nada promissor, mas entorpecedor como um bom veneno deve ser. E ela esperava por ele todos os dias, ansiosamente, como se a luz do programinha de conversação lhe transmitisse energia cada vez que acendia com o nome dele. Era uma romântica incorrigível, apesar da aparência contrária que fazia todos concluírem o inverso.
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