Te extraño mucho hoy, como hace mucho no me pasaba. Extraño escuchar tu voz y ver tus palabras tantas veces mal escritas.Extraño tu no saber conjugar el pasado y extraño tus confusiones en el presente. Ya no me acuerdo de tu olor, aunque lo adoro. Aquel olor que sale de tu cuello cuando te abrazo. No me acuerdo de la última vez que te abracé, que te senti, que me quisiste. Traigo vivas en la memoria tu risa, tu cara, tu voz. Pero tu último abrazo se perdió en algún lado. Y me hace tanta falta ese abrazo. Tu ultimo beso lo traigo guardado, en la Calle Uruguay, con mi rostro entre tus manos, me besaste; un beso dulce que me queria decir: quédate! Pero me fui... Para siempre? Lágrimas de añoranza se me quieren venir, resvalar por mi cara. Las asusto: !Volvé! que ya no es tiempo...
Ay, el olor de tu cuello... ¿Cómo era el perfume que salía de ti?
23/09/2012
"Lenguajes" é uma proposta de interação através de poemas, canções e discussões, sejam estes em português, em espanhol ou da forma que convier à velha(não tão velha assim)cachola. Com bom humor ou não, e vez em quando com uma lágrima doce...
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
sábado, 10 de novembro de 2012
Das cartas que eu não mando
Nunca estivemos na
praia, mas a praia sempre me lembra você. Não sei se o barulho tranquilizador e
inquietante das ondas ou o cheiro embriagador do mar; a questão é que sempre
lembro. É como se pudesse te ver dançar, seu corpo se movendo... Imagino e não
formo as metáforas. As ideias dão lugar a tua imagem e a tua voz. Ah tua voz...
Será para sempre uma lembrança doce?
“Y un otoño vacío en el
centro que solo se llena...”
Ai, ai, saudade. Tão sem tradução,
tão cheia de significado. Estarás sob o frio, olhando a chuva enquanto o sol me
ofusca a visão?
Teu calor se distancia de
mim como o sol de tuas terras nos invernos chuvosos. És meu inverno em meio ao
sol abrasador que me queima retina.
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
A arte do encontro XVI
Demorou uns cinco segundos para sair da inércia e devolver o cumprimento de forma quase engasgada: ! Hola! Nem podia acreditar que ela o notara de pronto e não tardara em falar-lhe. Depois do primeiro susto de um início de conversa que havia pensado ele ser tão difícil, continuaram a charla sem nenhum entrave. Ele resolveu perguntar-lhe uma vez mais sobre o livro, fingindo algum interesse, mas ela já notara que ele não era dado a romances literários, e enveredou por outros caminhos. Perguntou-lhe sobre a prova do dia anterior e ele mentiu ter se saído razoavelmente bem. Ela fingiu acreditar e ficou ali, a fitar nele os traços delicados e fortes. Ainda não havia notado, como ele era bonito... De repente deu-se conta de que se aproximava do seu destino, precisava descer. Perguntou a ele aonde ia e ele respondeu que a qualquer lugar, estava à toa naquela manhã de inverno. Ela então convidou-o para assistir à sua aula e ele respondeu que sim tentando não demonstrar tanto interesse.
A aula o entediava um poco. No começo, fixou-se na voz dela, que era realmente linda. Aquela boca e aqueles olhos nem precisavam falar, no entanto, cantavam, e como era lindo vê-la cantar. Mas, depois de alguns minutos, a monotonia daquela melodia começava a deixá-lo sonolento. Como dormira pouco por esses dias! Aguentou a duras penas até o final. Finalmente!
Ela quis saber se ele havia gostado, ele que nunca aprendera a mentir muito bem, preferiu um "re lindo cantás!" . Ela entendeu, pela expressão pouco entusiasmada dele, o que se passava e não fez mais perguntas. Caminharam até a saída e ele aproveitou para convidá-la para um lanche. Procuraram um supermercado, compraram algumas guloseimas e foram descansar em um dos parques de Palermo. O sol brilhava imponente, e apesar do frio, o dia estava lindo, o céu estava azul e havia flores brincando em seus lábios. De repente, a conversa cessou, a comida acabou e eles ficaram ali, a olhar-se. Como os olhos dela brilhavam, como a boca dele a chamava... E olhos foram se aproximando mais e mais até que os lábios se tocaram. Nossa! Que beijo! Ele se sentia flutuando. Aos quinze anos, não era seu primeiro beijo, contudo, nunca havia provado nada igual. Despertou do beijo como saído de um caleidoscópio. Deparou-se com aquele olhar, sorriu para ela e pôde, enfim, acreditar que existia. Quis parodiar em pensamento o filósofo com "beijo logo existo", preferiu porém perder-se em outros pensamentos enquanto abraçado a ela sentia o calor do sol a misturar-se ao sangue de suas veias.
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
A arte do encontro XV
No dia seguinte, teve de arranjar
uma desculpa para sair no horário de encontrá-la, assim, casualmente... Afinal,
por enquanto, não havia mais aulas. Por pelo menos duas semanas, não precisaria
acordar cedo. E era tão bom dormir até tarde naquele friozinho... Mas era
preciso vê-la, era NE-CES-SÁ-RIO! Não podia perdê-la de vista uma vez mais.
Plenas férias de inverno e ele
estava de pé antes da mãe. Ela nem pode acreditar quando levantou e o viu à
mesa tomando café e já arrumado para sair. Perguntou-lhe entre espantada e
incrédula sobre o porquê de tal atitude, e ele respondeu simplesmente que
precisava, coisas de um amigo da escola. Àquela hora da manhã e ainda
sonolenta, ela deu-se por satisfeita e esqueceu as indagações.
Antes de sair, ele olhou-se no
espelho. Depois de tantas noites mal dormidas, seguia com as olheiras, porém
não havia o que fazer, era esperar as próximas noites e descansar. Saiu pelas
ruas como se nem sentisse aquele frio julhino de cortar os ossos. Sentia-se
aquecido por dentro, com o coração aos saltos. A ansiedade vinha-lhe a boca num
roer de unhas incontrolável. A estação! Bom, dois minutos para a chegada do
metrô.
Entrou no vagão de sempre, o
terceiro. Três, número primo, seria sorte ou azar? Procurou-a. O moço com o
violão a caminhar de um lado para outro lhe atrapalhava a visão. Isso lá é hora
de fazer música? Uma vez mais percorreu os olhos pelo vagão, e, perto de uma
das portas, um livro resplandecia de delicadas mãos. Passou o olhar pelos
braços, o colo e foi dar com aqueles olhos que perdiam-se distraídos da leitura,
como se procurassem algo que pudesse ajudá-los a escrever sua própria história.
Ele notou sua distração,
acercou-se, mas não pode sentar-se ao lado dela, pois o assento estava ocupado
e teve de contentar-se em poder ficar de pé ao seu lado. Antes de conseguir cumprimentá-la,
ela o notou: ! Hola! ¿Cómo andás?
sábado, 11 de agosto de 2012
A arte do encontro XIV
Ele- continuação
Aproximavam-se
as férias de inverno. Nem podia acreditar, mas passava ileso pelas provas. Nenhuma
nota baixa até então, tampouco nada surpreendente, limitava-se a algo acima da
média e o fazia a duras penas. Estudava até muito tarde e, consequentemente,
dormia pouco. Custava-lhe despertar pela manhã. Ao escovar os dentes, não podia
deixar de reparar nas olheiras que lhe estava causando aquela quase uma semana
de tormento. Sentia-se pavoroso. Sabia que era culpado por não ter se
programado com antecedência para estudar. Agora já não importava, dois dias
mais e se acabava o tormento. Chá, biscoitos, mais uma olhadinha no espelho, escola.
Última prova.
Estudar! Língua e Literatura, todos aqueles verbos, todo o desenrolar dos
enredos, tantos nomes... Estava exausto, mas ainda faltava tanto... Entre um
cochilo e outro, acabou dormindo sobre os livros. Acordou pela voz da mãe “Ale,
Ale! Despertate!” olhou o relógio ao lado da cabeceira da cama e levantou-se de
um sobressalto. Dormira muito mais do que deveria, estava atrasadíssimo. Por Deus!
Haveria de ter problemas logo no último dia de prova? Apressou-se, pulou etapas.
Esquece o banho! Lavar o rosto, escovar os dentes, pentear os cabelos, vestir o
uniforme e voar para a escola. Se não houvesse atraso no metrô, chegaria em
tempo hábil.
_ ¿No vas a
desayunar, chico? Cuidate, si no enfermás.
_ No puedo,
mamá. Como en la escuela.
Chegou bem a
tempo de pegar o próximo metrô. Sorte. Entrou, sentou, olhou o relógio e
respirou aliviado. Olhou para o lado e... Não podia acreditar! Era ela! Em sua
mente, já não era capaz de reconstruir-lhe o rosto com perfeição. Mas agora,
ali, ao lado dela, tinha certeza, era ela. O mesmo cabelo a cair-lhe
delicadamente pela face, como uma caricia; os mesmos olhos novamente entretidos
na leitura, os mesmos lábios entreabertos, abandonados, distraídos.
Precisava falar
com ela, urgentemente, pois logo teria de descer e mais uma vez a perderia de
vista. Arriscou um “Hola, ¿qué frio, eh?” Que frio? Poderia ter sido mais
idiota? Falasse do calor em plena típica manhã de inverno e teria sido mais
interessante. Mas ,por sorte, ela era gentil e respondeu-lhe ao cumprimento. “Sí,
horrible”.
_¿ Te gusta
la literatura?
_ Sí, me
encanta. Las artes en general, pero la literatura y la música más.
_ Ah, mira
vos. Coincidentemente tengo un examen de literatura hoy, pero a mí no me gusta
mucho y, para colmo, estoy retrasado.
_Un bajón. Yo
también me estoy yendo a la escuela, pero de canto.
_Ah, !qué
lindo!
No fim ela
disse que pegava o metrô naquele mesmo horário todas as quartas e sextas-feiras
para ir a sua aula, e ele viu aí uma oportunidade de reencontrá-la. Chegou a
sua estação. Despediu-se entre nervoso, atrapalhado e feliz, e foi discutir
literaturas numa briga que já não importava. Começava a ler a prova e
distraía-se com a lembrança do som da voz dela, com a imagem do seu sorriso a
dizer-lhe “chau”. Respondeu mal a prova e depois daquela noite mal dormida,
sorriu com a certeza de uma nota ruim e caminhou até a estação como se já fosse
primavera.
08/08/2012
domingo, 22 de julho de 2012
A arte do encontro XIII
Ele - continuação
Alguns dias
se passaram e a lembrança da garota não se havia desvanecido. Pensava nela
durante o banho, momentos antes de dormir, na hora de estudar. Sua concentração
não era das melhores e a recordação daquele rosto martelando em sua mente em
nada o ajudava.
A mãe já
notara algo diferente em seu comportamento. Tentava conversar, entender o que
se passava. Ele não lhe dava espaço, esquivava-se. Há algum tempo deixara de
gostar de compartilhar certas coisas com a mãe, eram somente suas e só a ele
interessava, afinal, já não era criança.
Ele temia
esquecer-se das feições da menina. Conforme os dias se passavam, ia se tornando
cada vez mais difícil reconstruir cada detalhe daquele rosto. Atordoava-lhe a
ideia da perda de uma lembrança que era a única coisa que pudera guardar dela. Mas
não era fácil manter nítida aquela recordação, sua memória não era tão boa e não
a havia visto por muito tempo, para piorar, fora uma única vez.
Depois de
mais alguns dias, começou a considerar a ideia de que esquecê-la seria, na
verdade, o melhor a fazer. Ela era linda e o impressionara, mas de que lhe
servia? Custava-lhe energia mantê-la acesa em sua mente e roubava-lhe ânimo das
tarefas diárias, dos estudos. Precisava focar-se nas coisas que realmente
faziam parte de sua vida e lançar ao esquecimento essa lembrança insana a
desviar-lhe as metas. Para que desperdiçar tanta energia com alguém completamente
indiferente à sua existência e que talvez nunca tornasse a ver? Esquecer,
esquecer, esquecer!
Esqueceu? Os dias
foram chegando a passos lentos, trazendo uma brisa mais fria, anunciando o
outono com seus tons pastéis. Ele fixava-se em coisas mais importantes,
observava a realidade em redor e fazia reflexões sobre si e o seu entorno. Cobrava-se.
Precisava estudar. O período de provas se aproximava e sua distração, por quase
um mês, o havia prejudicado. Mas o pensamento logo lhe fugia e aproveitava o
tempo ameno e a brisa doce para passear pela cidade, sentar-se em algum parque,
deitar-se na grama, perder-se em pensamentos que nada tinham a ver com gramática
ou aritmética. Viajava por longos momentos em sua mente, esquecia-se a
contemplar partes do próprio corpo. As mãos... como cresciam e pareciam nem ser
dele. Às vezes, tocava-se no rosto na intenção de sentir ser ele mesmo a
tocar-se. Aborrecia-se ao sentir, raramente, alguma mínima imperfeição, uma
pequena espinha, um cravo. Embora tivesse sorte, pois nem mesmo o auge da adolescência
tinha-lhe estragado a pele, mudava de humor se notava algo e lhe saltava dos lábios
um palavrão, pequena mostra de sua relação com a vaidade. Porém, logo se
distraía com grupos de garotas que passavam em suas minissaias ou em seus jeans
desconcertantes.
Os hormônios eram
outro ponto a driblar na sua luta para manter-se concentrado. No auge dos seus
quinze anos, eles lhe gritavam ao ouvido, e, às vezes, entre tantas saias e
jeans apertados, era necessário voltar para casa e calá-los com um banho frio. E
em meio à água a escorrer-lhe pelo corpo, vez em quando lhe vinha a lembrança
doce que, às vezes, teimava em tornar-se sensual, de um cabelo a resvalar por
uma face branca e de uns lábios entreabertos a esperar por um beijo.
19/07/2012
quarta-feira, 18 de julho de 2012
A arte do encontro XII - Ele
No final do
ano, ganhou uma bicicleta. Passou a ver o mundo de uma forma mais acelerada e por
algum tempo, passou a não ter tanta atenção com o meio, como se observasse o
mundo a pedaladas, encerrado na euforia do corpo a mover-se, na perspectiva de
uma nova esquina, de um cruzamento perigoso, de um beco no meio do quarteirão. Até
sentir falta de passos lentos e olhares atentos.
Tinha agora
quinze anos, o rosto de menino estava mudando,ia tomando formas viris. Os pelos
começavam a incomodar, já não se reconhecia no espelho. Quem era o tal ali do
outro lado? Era bonito, feio? Encarava-se, fixava-se na intenção de
encontrar-se em algum momento. Era jovem, disso ele sabia. Muito jovem. Uma vida
nas mãos, um caminho sem pegadas, sem rastros. Páginas, muitas páginas... Escova,
creme dental. Mais uma olhadinha. É, parece ser mesmo ele. Hora de ir.
No caminho
até a estação de metrô, tentava organizar os pensamentos. Iniciava o ensino médio,
iniciavam-se muitas dúvidas. Profissão, cabelo curto, cabelo longo, barba e o
que haverá de almoço.
Era por
meados de março, e o dia estava lindo. O super calor do verão havia partido. O sol
brilhava imponente, mas soprava uma brisa doce só interrompida pela entrada na estação.
Sob todo o concreto o lugar fervilhava. Comprou bilhete para duas viagens e foi
acomodar-se no terceiro vagão. Olhava de forma desatenta ao redor, o olhar
automatizado de quem se acostuma à repetição. Todos os dias acordar cedo,
preparar-se para ir à escola, cumprir as tarefas diárias. Tudo sempre igual. As
mesmas ruas percorridas, as mesmas caras no metrô, as mesmas... han? Uma cara
nova, uma linda cara nova com longos cabelos negros que lhe caíam sobre as
espáduas e delicadamente sobre o rosto, numa franja que quase lhe cobria os
olhos. Tinha aparentemente a mesma idade dele, com o mesmo ar de quem se sabe
jovem. Lia despreocupadamente um livro, indiferente ao olhar do nosso herói ali
adiante. Ele tentava olhá-la de maneira disfarçada, mas perdia-se como
hipnotizado em alguns momentos. E, tão logo, hora de descer. Ela se fora. Para sempre?
Andou por todo o quarteirão lembrando-se de cada detalhe do rosto dela: os
olhos amendoados, a boca bem feita e entreaberta num gesto distraído, a pele
branca. Linda, linda.
Esteve toda a
manhã sem conseguir concentrar-se na aula. Enquanto a professora flexionava verbos
e ditava regras, ele desenhava traços que imitavam um rosto feminino e escrevia
palavras soltas que só ele entendia.
Foi para casa
sem pensar no almoço e comeu como se já tivesse comido.
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